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31 de agosto de 2007

Terror no fórum de Ariquemes

Homem faz reféns funcionários da segunda Vara Criminal

Até o fechamento desta edição seis funcionários permaneciam como reféns de um homem na 2ª Vara Criminal de Ariquemes. Uma comissão de gerenciamento de crise foi instalada para negociar.

Armado com uma pistola, o representante comercial João Carlos Patrian, fez seis pessoas refém em Ariquemes. O seqüestrador invadiu o fórum por volta das 9h30, de quinta-feira, e rendeu quatro servidores e dois estagiários que trabalham na 2ª Vara Criminal, onde os manteve sob a mira de sua arma. Depois de coordenar a desocupação do prédio a Policia Militar isolou a área.

Informações dão conta de que o seqüestro dos servidores do judiciário é um protesto contra a decisão judicial proferida pelo juiz Leonardo Matos e Souza, da Comarca de Buritis.

Fontes ouvidas pela reportagem do Estadão informaram que o seqüestrador tem 8 processos em tramitação na área cível. O mais recente refere-se à penhora de um veículo - decisão judicial proferida em 22 de agosto.

Em sua defesa no processo de penhora Patrian alegou que não poderia ter seu carro penhorado porque era seu instrumento de trabalho. O juiz não acatou a alegação do réu sob o argumento de que o próprio Patrian teria indicado o referido bem como garantia.

Este talvez tenha sido o estopim para desencadear a reação contra os servidores do judiciário de Ariquemes.

É possível que este processo seja referente a partilha de bens em decorrência da separação de sua ex-esposa, identificada como sendo Célia Maria Regina.

O acusado de seqüestro não se conforma de ter perdido seu carro em decorrência de decisão judicial.

Premeditação

A análise do comportamento do seqüestrador, feita por autoridades que integram o comitê de negociação, demonstra que a invasão e o seqüestro dos funcionários foram premeditados por João Carlos Patrian.

Antes de invadir o fórum, o seqüestrador estacionou seu carro - um Fiesta, cor preta, placa HCS-7865 de Cuiabá e colocou fogo em uma vela e deixou acesa dentro do carro, ao lado tinha uma garrafa de dois litros de gasolina. Uma hora depois de ter feito refém os servidores o fogo se alastrou pelo interior do veículo Fiesta e o Corpo de Bombeiro teve que agir e conseguiu controlar as chamas.

Pelos objetos abandonados no interior do veículo é possível afirmar que João Carlos Patrian trabalhava na área de vendas de botinas de couro. Vários pares de botina, bem como talão de pedido de mercadoria e cartão de visitas foram encontrados pelas autoridades dentro do veículo que foi estacionado perto do fórum.

Negociação conduzida por comitê

Um comitê de gerenciamento de crise formado por promotores, juizes, representantes da OAB, delegados e oficiais da PM foi constituído para conduzir as negociações com o seqüestrador. As autoridades disseram não ter elementos para confirmar o nome do seqüestrador.

Por volta do meio dia o juiz diretor do Fórum, Rinaldo Forti Silva falou com a imprensa sobre os primeiros resultados das negociações. Segundo o magistrado, as reivindicações do seqüestrador ainda eram desconexas e que preliminarmente era possível constatar que o individuo estava bastante perturbado. O seqüestrador exigia a presença do juiz de Buritis, dos advogados e do promotor que atuou no processo que resultou na penhora de seu carro. No final da tarde chegou ao fórum seu advogado, Ernandes Viana para colaborar com as negociações.

Na avaliação do juiz as negociações estão evoluindo de forma positiva. Negociações estão sendo mantidas no sentido de garantir a integridade física dos reféns. A idéia inicial é vencê-lo pelo cansaço. Por volta das 13h o ar condicionado da sala onde Patrian mantém os reféns foi desligado. Em resposta ele disparou dois tiros contra o ar condicionado e o serviço de refrigeração do local teve que ser imediatamente restabelecido.

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