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23 de ago. de 2007

Rendimento aumentou 2,5% em julho, aponta IBGE

ADRIANA CHIARINI - Agencia Estado

RIO - Os dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de julho na comparação com o mesmo mês do ano passado foram considerados "extremamente positivos" pelo gerente da área no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, embora na comparação com junho deste ano não tenham confirmado as expectativas positivas. Ele comentou que "em um ano entraram no mercado de trabalho 603 mil pessoas e o desemprego se reduziu em 255 mil pessoas".

A taxa de desemprego aberto caiu de 10,5% da população economicamente ativa em julho do ano passado para 9,5% em julho deste ano. O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados aumentou 2,5% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 1.108,30.

Cimar destacou também que o número de empregados com carteira de trabalho assinada aumentou em 437 mil pessoas, um crescimento de 5,2%, superior, em termos proporcionais ao da população ocupada, que foi de 3,0%. De acordo com ele, isso é positivo porque mostra aumento da qualidade de emprego.

Rendimento real

O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados em julho, de R$ 1.108, ainda é inferior em mais de 10% ao de julho de 2002 que, a preços corrigidos, seria de R$ 1.233, informou o IBGE. "Nos últimos 24 meses, a tendência é de alta do rendimento médio real", disse Cimar Azeredo. Ele mostrou que a renda média real nos sete primeiros meses deste ano ficou em R$ 1.118, cerca de 4% acima da média do mesmo período do ano passado, que ficou em R$ 1.073.

Governo espera justiça sem paixão, diz Dilma

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que o governo espera que o STF (Supremo Tribunal Federal), tome uma decisão sobre a denúncia do mensalão "sem paixões". Indagada sobre o que esperava do resultado do julgamento, respondeu: "O governo espera que se faça justiça, sem paixões".

Dilma, que tem bom relacionamento com o ex-ministro José Dirceu, tem adotado publicamente atitude de cautela quanto à decisão do STF, seguindo orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) recusou a tese de que o governo estaria também submetido a um julgamento na análise da denúncia contra os 40 acusados de integrar o mensalão, o mais grave escândalo de corrupção dos quase seis anos de governo Lula.

"O governo não está em julgamento no STF, não concordo com essa tese. Pessoas que participaram do governo é que estão sendo julgadas, não o governo", disse Mares Guia.

Sem tempo

Com um dia de agenda cheia, Lula não teria tido tempo de assistir pela TV a algumas partes da reunião do STF. Assessores disseram ao presidente que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, fez um discurso duro e com adjetivos, segundo expressão de um deles. A cúpula do governo avalia que hoje, no segundo dia da reunião do STF, será possível ter idéia mais clara sobre qual será a decisão.

Ontem, no primeiro dia do julgamento, ministros usaram a internet para consultas e para trocar mensagens.

Durante as principais falas, do ministro Joaquim Barbosa, relator, e do procurador-geral, autor da denúncia, ao menos dois ministros navegavam pela rede e conversavam virtualmente pelo sistema do STF. Depois de ler o relatório, Joaquim Barbosa dedicou-se a ler e escrever no laptop. E, já na fase da apresentação dos advogados, o próprio procurador também usava seu computador.

Toga e água

As togas, negras e longas, são vestidas por ministros e advogados ao fazerem suas manifestações. O relator Barbosa, porém, não teve muita sorte. Enquanto falava, a toga escorria pelo seu ombro.

O transtorno do procurador foi outro: se molhou ao derrubar o copo d'água. E o do decano dos advogados presentes, José Carlos Dias, mais perigoso: tropeçou e quase caiu. Havia dois médicos de plantão, não acionados. Foram servidos café e água aos participantes.

Os advogados se sentaram lado a lado. Um deles reclamou alto da "ritualística bacharelesca". Mas Luiz Francisco Barbosa, que representa o ex-deputado Roberto Jefferson, pivô do mensalão e cassado pela Câmara, dizia que estava achando tudo "muito engraçado". Fonte: Folha online

Furacão Dean perde força, mas deixa 2 mortos no México

Por Tomás Bravo POZA RICA, México (Reuters) - O furacão Dean, que perdeu força e se transformou em uma tempestade tropical ao passar pelo México, que deixou dois mortos no país e casas destruídas.

O Dean atingiu pela segunda vez as terras mexicanas como furacão e provocou fortes chuvas e inundações na costa do golfo do México e no centro do país, na quarta-feira, mas horas depois perdeu força.

Um homem de 76 anos morreu no Estado central de Puebla quando as fortes chuvas causaram enchentes em sua residência precária e uma parede caiu sobre ele.

A outra vítima, de 32 anos, morreu eletrocutada em Jalapa, capital do Estado de Veracruz, na costa do golfo, após ter subido no telhado para fazer um conserto no meio do furacão e acabou encostando num cabo elétrico. Autoridades locais não consideravam esta morte ligada ao fenômeno climático.

O Dean deixou no total 19 vítimas fatais em sua passagem por diferentes ilhas do Caribe e México, em seu trajeto de mais de uma semana. A maioria das mortes aconteceu no Haiti.

No México, as chuvas e ventos destruíram casas, arrancaram árvores e derrubaram postes de luz em Poza Rica e outras localidades de Veracruz, uma região montanhosa cercada de rios que acabaram transbordando e obrigaram os moradores a permanecerem em refúgios.

"A minha casa é protegida por Deus e Deus nos protege. Saí da minha casa porque o teto do meu vizinho foi arrancado", disse Epifanía Centeno, de 65 anos, que fazia fila para comer em um albergue após ter deixado sua casa em Cazones, periferia pobre de Poza Rica.

Poza Rica, ao norte da cidade de Veracruz, é sede de instalações de armazenamento de petróleo e de um oleoduto que leva o petróleo a uma refinaria na região central do México.

O Dean alcançou na terça-feira a categoria 5 no caribe mexicano, e causou destruição nas praias de Cancún e Tulum antes de cruzar a península de Yucatán e sair para o golfo do México, onde a petroleira estatal Pemex tem plataformas que foram esvaziadas.

À medida que o furacão enfraquecia, a empresa ordenou o retorno ao trabalho de milhares de operários.

O Dean foi o primeiro furacão desta temporada do Atlântico, que começou em julho.

22 de ago. de 2007

No STF, defesa de Dirceu chama denúncia de "panfleto partidário

Por Ricardo Amaral

BRASÍLIA (Reuters) - A defesa do ex-ministro José Dirceu no julgamento do mensalão, iniciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta, apontou pressões da mídia e motivações políticas para tentar desqualificar a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Souza.

"Eu poderia dizer que a denúncia é um panfleto partidário (...) que foi seduzida pelos holofotes da mídia", disse o advogado José Luis Oliveira Lima ao fazer a defesa de Dirceu no plenário do STF.

"A sociedade precisa da serenidade do Supremo Tribunal Federal neste momento", disse o advogado.

O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu foi acusado pelo procurador-geral de ter sido o "chefe de uma organização criminosa" que teria atuado para desviar dinheiro público em troca de apoio político. Se a denúncia for aceita pelo STF, Dirceu responderá como réu por corrupção ativa, peculato e formação de quadrilha.

Para o procurador-geral, o fato de Dirceu ter sido chefe da Casa Civil teria sido decisivo para que os bancos Rural e BMG fizessem "empréstimos fraudulentos" ao PT em 2003, com aval do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

"São acusações vagas. Não há ato ilícito de meu cliente descrito na denúncia", disse o advogado de Dirceu, acrescentando que a acusação contra 40 pessoas envolvidas no mensalão não descreve a participação individual de seu cliente.

Para o advogado de Dirceu, o procurador-geral "deu credibilidade" a adversários políticos do ex-ministro, entre eles o ex-presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson, que em 2005 acusou Dirceu de comandar um esquema de compra de votos no Congresso, o chamado "mensalão."

"A denúncia dá credibilidade à fala de Roberto Jefferson, que foi cassado porque mentiu. Isso é inacreditável", disse o advogado Oliveira Lima. O advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-presidente do PT, deputado José Genoino, também argumentou que a denúncia do procurador-geral não tem elementos para descrever a participação individual dos acusados na consecução dos crimes. Pacheco também fez uma leitura político-partidária da denúncia, argumentando que Genoino não teria sido responsável pelos empréstimos tomados pelo ex-tesoureiro Delúbio, mesmo tendo assinado os documentos dessas operações bancárias.

"Meu cliente foi envolvido nesta ação penal por simples capricho da Procuradoria. Ele não está sendo acusado pelo que fez ou deixou de fazer, está sendo acusado pelo que era: presidente do PT", afirmou.

Os advogados do ex-tesoureiro Delúbio Soares e do ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, centraram a defesa com argumento de que nenhum dos dois poderia ser acusado de corrupção ou peculato, porque não ocupavam posições no governo.

Laudo da PF derruba argumentos de Renan

POLICIAL - BRASILIA -

(Foto: Moreira Mariz - Ag. Senado)

O laudo da perícia realizada pela Polícia Federal nos documentos do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não conseguiu comprovar os rendimentos do peemedebista com a venda de cabeças de gado em Alagoas entre os anos de 2003 e 2006. Renan alega, em sua defesa, que os rendimentos eram suficientes para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

Segundo o laudo, os documentos apresentados por Renan não foram suficientes para mostrar que ele tinha capacidade econômico-financeira para pagar pensão à jornalista.

'Faltam parâmetros que permitam afirmar se o representado [Renan] possuía ou não saldo para realizar os pagamentos. Ainda que seja especificada a data de pagamento e que sejam verificados recursos suficientes nas contas bancárias para os pagamentos, somente o exame dos documentos de suporte poderá comprovar os pagamentos à senhora Mônica Veloso', diz o laudo.

A PF confirma que o dinheiro arrecadado pelo senador com a suposta venda de gado consta em suas movimentações bancárias --e afirma que os valores apurados nas negociações com o rebanho foram depositados em sua própria conta.

No laudo, a perícia responde aos 30 questionamentos feitos pelo Conselho de Ética sobre movimentações financeiras do senador. A perícia afirma que as notas fiscais apresentadas por Renan para comprovar a venda de gado são legítimas, mas a PF não conseguiu comprovar as operações de venda de gado que o senador alega ter realizado.

No laudo, os peritos do INC (Instituto Nacional de Criminalística) afirmam que 'ideologicamente não se comprovou efetivamente o trânsito de animais'. A PF diz, no laudo, não ser possível afirmar que a quantidade de gado que Renan alega ter vendido era efetivamente de propriedade do senador.

Débito

Os peritos também constataram que, entre os anos de 2002 e 2004, não foram encontradas incompatibilidades entre a evolução patrimonial de Renan e sua renda declarada oficialmente. Em 2005, no entanto, a PF concluiu que o senador deixou de declarar à Receita Federal R$ 24.500.

Os peritos identificaram divergências entre as informações dos documentos fiscais de Renan e os demais documentos apresentados em 2004, 2005 e 2006.

Em relação às GTAs (guias de transporte animal) que Renan alega ter emitido para comprovar a movimentação de seu rebanho, a PF afirma que não é possível confirmar que as guias e as notas fiscais correspondem ao gado bovino do senador.

Cronograma

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), convocou reunião para esta quarta-feira (22) com os relatores do processo contra Renan para discutir um cronograma de trabalhos. Com a chegada da perícia, os relatores esperam colocar em votação na semana que vem o relatório do primeiro processo contra o senador.

Além da denúncia que liga Renan à Mendes Júnior, o senador responde a outros dois processos por quebra de decoro no Conselho de Ética.

21 de ago. de 2007

Game pode ajudar a decifrar epidemia

No "World of Warcraft", doença é contraída de viajantes e animais de estimação. O surto foi resultado de um desafio acrescentado ao game.

Doença do "sangue corrompido" prolifera nas cidades do "World of Warcraft". (Foto: Divulgação)

Uma praga mundial espalhada por viajantes, animais de estimação e adolescentes curiosos pode demonstrar que os especialistas não levaram tudo em conta ao planejarem defesas contra surtos de doenças. Por sorte, o mundo envolvido é um jogo na internet.

O surto virtual da doença, proliferada no "World of Warcraft" e conhecida como "sangue corrompido" indica que os especialistas que tentam prever as características da próxima pandemia poderiam utilizar um laboratório do mundo real: a cultura dos usuários de jogos on-line.

"A situação se assemelhava um pouco à de uma doença real", disse Nina Fefferman, da Princeton University, que trabalhou no estudo com seu então aluno Eric Lofgren.

O surto foi resultado acidental de um desafio acrescentado ao jogo online "World of Warcraft" em 2005, reportam Fefferman e Lofgren em artigo para a revista especializada "Lance Infectious Diseases".

A doença violenta e contagiosa foi introduzida pela Blizzard Entertainment, produtora do jogo, como desafio adicional para os jogadores de alto nível. Mas, da mesma maneira que um vírus real pode se espalhar, ela foi acidentalmente espalhada fora de sua área de isolamento virtual.

"Não demorou para que a doença se difundisse nas capitais densamente povoadas do mundo virtual, causando altos índices de mortalidade e, mais importante, a espécie de caos social que surge com surtos em larga escala de uma doença mortífera", escreveram Fefferman e Lofgren.

"Quando esse surto acidental ocorreu, os jogadores o adotaram como parte do jogo. Alguns consideraram que fosse uma característica excelente", afirmou Fefferman.

Mas os produtores do jogo discordaram. Muitos deles reiniciaram o jogo para eliminar a doença, o que resultou na remoção de quaisquer dados que pudessem ser úteis. Lofgren, que jogava World of Warcraft, avisou Fefferman, e eles estudaram ao máximo os traços ainda discerníveis.

Fefferman percebeu de imediato fatores humanos que não havia incluído em seus modelos de computador para surtos de doenças reais, entre os quais o "fator estupidez". "Trata-se, por exemplo, de alguém que acha que só dar uma olhadinha rápida no doente não será contaminado", disse ela.