Eu gostaria de, nesse
momento, fazer um relato acerca do livro de Jonas, como atividade da disciplina
“profetas menores” do Setad, o Seminário Teológico da Assembleia de Deus, no
meu segundo semestre do curso Avançado, disciplina que foi ministrada pelo professor
Antônio Júnior.
O livro de Jonas possui
2 contextos principais:
• De datação, período de atuação do personagem e;
• Período provável da escrita do livro.
Período de datação:
É um cenário histórico
marcante envolvendo o Império Assírio, a data e o período de atuação se resumem
em época do profeta e registro bíblico inicial, a época do profeta que era
filho de Amitai, natural de Gate-Hefer, em Zebulon. Viveu e profetizou no século VIII antes de
Cristo durante o reinado de Jeroboão II, no reino do norte de Israel,
aproximadamente 790 a 749 antes de Cristo. O registro bíblico inicial diz que
Jonas é citado brevemente em 2 Rs. 14. 25. Prevendo a expansão territorial de
Jeroboão II.
Da escrita do livro
As informações acerca do
período da composição do livro dizem que temos 2 visões, uma tradicional e uma
crítica acadêmica. A tradição defende que o livro foi escrito logo após os
eventos, pelo próprio profeta, por volta de 760 antes de Cristo, já a visão
crítica acadêmica diz que a maioria dos estudos apontam que o texto foi
composto muito tempo depois, por volta de 400 a 300 antes de Cristo, na época
do domínio persa, devido ao uso de termos e características linguísticas do
aramaico tardio. Quanto ao contexto histórico, o inimigo Nínive era a grande
capital do império sírio, conhecida por sua extrema violência e crueldade
contra os povos vizinhos, incluindo Israel de quem era inimigo declarado,
diferente dos livros proféticos tradicionais, que focam em longos discursos de
julgamento. O livro de Jonas é estruturado com uma narrativa didática e irônica
sobre a universalidade do amor e perdão de Deus, questionando o nacionalismo
estreito do povo de Israel, como se Israel se sentisse dono de Deus e Deus não
pudesse ser Deus de outros povos. O livro é lido integralmente no Yom Kipur, o
dia de expiação. Enfatizando o arrependimento e o perdão divino para todas as
pessoas.
Quanto à recusa de
Jonas, inicialmente, quanto a ir pra Nínive, fugiu pra Tarsis, existe a
interpretação de que o profeta fugiu da missão de pregar o arrependimento aos
assírios, porque não desejava que Deus demonstrasse sua misericórdia a um
inimigo cruel do seu povo, ele prefere que Nínive seja destruída, mas eu tenho
uma visão particular sobre esse episódio, especialmente quando Jonas se mostra insatisfeito
com a divina preservação do povo e da cidade de Nínive, assim como a planta
que lhe dava a sombra e depois foi destruída por um verme: é que o homem por
ter sua natureza perversa, conforme descrito em Gn. 6. 5, ao se converter a
Deus, passa a julgar e considerar todos os demais seres humanos como perdidos e
dignos da ira de Deus.
Nesse contexto, o
profeta esperava que o Senhor simplesmente destruísse Nínive e seu povo, mesmo
tendo anunciado ali que a ira divina recairia sobre eles, se não se arrependessem
e veio o arrependimento, mas ainda assim mediante o perdão de Deus Jonas não
queria perdoar aquela cidade. Por causa disso, não enxergava o efeito positivo
da sua própria pregação, que levou desde o rei até os mais humildes ninivitas a
se reaproximar de Deus, e quantas vezes nós mesmos fazemos esse tipo de
julgamento!
A gente acha que só a
gente é santo, que só a gente é perfeito, que só a gente adora fielmente ao
Senhor, julgando todos os demais ao nosso redor, como se eles fossem indignos
do perdão de Deus, da misericórdia e desejando que Deus tenha misericórdia e
derrame todas as bênçãos somente sobre a nossa própria vida.
Concluo aqui,
agradecendo a atenção e desejando que Deus nos abençoe a todos.
Pr. Lemoel Silva
Costa