O
Prólogo do Evangelho de João (João 1:1-14)
é um dos textos mais profundos de toda a Bíblia, apresentando a identidade divina, cósmica e
humana de Jesus Cristo. Em vez de focar em uma genealogia
humana ou na manjedoura, João abre as cortinas da eternidade para revelar quem
Jesus era antes da criação.
1. A Divindade e a Pré-existência do Verbo (vv.
1-5)
O termo "Verbo" (Logos): João usa uma palavra rica para a filosofia grega (razão universal) e
para a mente judaica (a Palavra criadeira de Deus). O Logos é a própria
comunicação viva de Deus com a humanidade.
Eternidade e Co-igualdade: A expressão "No princípio" remete diretamente o Gênesis 1:1. João afirma que quando o tempo começou, o Verbo já existia. Ele não foi criado; Ele estava face a face com o Pai e Ele era o próprio Deus.
Agente da Criação: O universo não surgiu por acaso. Tudo o que existe foi planejado e executado por meio de Cristo. Ele é a fonte da vida e a luz que dissipa a escuridão do pecado e do desconhecimento de Deus.
2. A Rejeição, o Testemunho e a Nova Filiação (vv. 6-13)
O papel de João Batista: Apresentado não como a luz em si, mas como uma testemunha confiável
enviada para apontar a direção da verdadeira luz.
O drama da rejeição: O Criador veio caminhar na Terra que Ele mesmo moldou, mas a humanidade ("o mundo") preferiu a cegueira espiritual e não O reconheceu. Até mesmo o Seu próprio povo histórico O rejeitou.
A promessa da filiação: Aos que rompem com a incredulidade e acolhem a Cristo, é concedido o direito legal e o poder de se tornarem filhos de Deus. Esse novo nascimento não é biológico ou meritocrático; é um ato soberano da graça divina.
3. O Clímax: A Encarnação do Verbo (v. 14)
"O Verbo se fez carne": Esta é a declaração teológica mais revolucionária do Novo Testamento. O
Deus infinito e imaterial vestiu-se de fragilidade humana, com um corpo real
sujeito ao cansaço, à dor e à morte.
"Habitou entre nós": No grego original, a palavra usada significa literalmente "armou Sua tenda" ou "tabernaculou". Assim como a presença de Deus habitava no Tabernáculo no deserto com o povo de Israel, agora o próprio Deus habita visivelmente e permanentemente no meio dos homens através de Jesus.
Graça e Verdade: Ao contemplar Jesus, a humanidade tem acesso direto à glória do Pai, manifestada não em juízo destruidor, mas em amor redentor pleno de favor imerecido (graça) e realidade absoluta (verdade).
A dois mil anos o Logos esteve entre nós, por sua
bondade e até hoje permanece ainda através de sua Igreja. No princípio criou o
mundo e toda matéria e o homem para lhe adorar, e por fim habitar com Jesus
Cristo (o Logos).
A palavra viva foi rejeitada, perseguida, presa como pessoa que era, maltratada, e condenada a morta, (Jesus) era Deus em carne como homem se comunicando com os homens trazendo a luz da salvação para todos os que nele creem, serão feitos filhos de Deus.
João afirma: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua gloria, gloria como do Unigênito do Pai”. Compreenda bem; criança entende criança, adulto se relaciona com adulto e o homem não entende a Deus, foi necessário que Deus se fizesse carne e habitasse conosco, em graça e verdade comunicando-se com os homens e transformando-os em filhos seus pela morte na cruz, aos que creem nele para a salvação como herança na eternidade.
Domingos Teixeira Costa