RIO - Um turista dinamarquês foi esfaqueado no braço numa tentativa de assalto na manhã de terça, em Copacabana. O engenheiro Claes Christian Agerup, de 66 anos, se encaminhava a um quiosque para tomar água de coco - e depois fotografar a orla - quando foi atacado, por volta das 7h30m, por dois menores, na Avenida Atlântica, na altura da Rua Francisco Sá. Ele se feriu ao reagir à tentativa de assalto. Apesar do corte e de ter levado 22 pontos, Claes mostrou-se bem-humorado. Disse que adora o Brasil e que voltará ao país.
O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat). Claes acredita que os assaltantes eram menores de idade. Ele chegou a tentar identificá-los no álbum da delegacia com suspeitos de ataques na orla da Zona Sul, mas não conseguiu reconhecer os agressores. De acordo com informações de testemunhas, ao perceber que seria assaltado, Claes teria dado um chute entre as pernas de um dos assaltantes, que o feriu com uma faca.
O turista foi socorrido no Hospital Miguel Couto e depois foi à Deat. Os assaltantes não conseguiram levar dinheiro ou objetos do dinamarquês, que está no Rio desde segunda-feira, acompanhado de um grupo de amigos e da mulher. Ele, que pela segunda vez visita o Brasil, deverá permanecer na cidade até sexta-feira.
Em 14 de agosto do ano passado, o turista português André Costa Ramos Bordalo, de 19 anos, foi morto com uma facada na Praia de Copacabana. O jovem, que estudava engenharia aeroespacial em Lisboa, estava com os pais quando, por volta das 8h30m, um homem roubou sua mochila. Ele gritou e foi esfaqueado. O ladrão, Claudeci Bezerra da Silva, de 23 anos, foi preso na Rua Constante
A Vale viu sua proposta de compra da mineradora anglo-suíça Xstrata ser rejeitada pelos principais acionistas da empresa porque o preço oferecido -US$ 76 bilhões- foi considerado insuficiente. Mas nem por isso desistiu da aquisição. Pelo contrário, a Vale deve apresentar nova proposta. Desta vez, melhorada.
A expectativa no mercado é que a mineradora brasileira possa pagar entre US$ 80 bilhões e US$ 90 bilhões pelo controle da Xstrata, um ativo estratégico para a Vale. Esses são os valores atribuídos por especialistas à companhia.
Analistas que acompanham a empresa e executivos do setor acreditam que a Vale não deve desistir tão facilmente e tende a melhorar sua oferta. Pela proposta inicial, rejeitada pelos acionistas da Xstrata, a Vale pagaria até US$ 50 bilhões em dinheiro e o restante em ações preferenciais da companhia. Primeiro, falou-se em US$ 40 bilhões em dinheiro.
Os recursos para a parte destinada ao pagamento em espécie seriam amealhados em um "pool" de bancos estrangeiros, entre os quais estariam o Citibank, o Santander e o HSBC. O financiamento poderia chegar a US$ 50 bilhões, dependendo da necessidade da Vale.
Mesmo que melhore sua oferta, a Vale terá de contornar um outro problema: o fato de parte da proposta ser em ações preferenciais, que não dão direito a voto no Conselho de Administração da companhia. Ou seja: caso seja aceita, exclui os atuais acionistas da Xstrata do controle da mineradora brasileira, compartilhado hoje por Previ, Bradesco, BNDES e a trading japonesa Mitsui.
As ações preferenciais são um instrumento exclusivo do Brasil e visto com desconfiança por investidores estrangeiros. A Vale, porém, não tem alternativa: o governo rejeita a possibilidade de desnacionalização da companhia ou aumento de participação do capital estrangeiro no controle da empresa e nas decisões estratégicas.
Juntos, BNDES e Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) têm a maior parte dos assentos do conselho da Vale e podem barrar qualquer decisão que passe pelo órgão, como aquisições. Sem saída, só resta à Vale elevar o valor da oferta em dinheiro vivo para tentar convencer os acionistas da Xstrata. E é isso o que ela deve fazer, dizem analistas.
A Vale tem até o dia 21 de março para apresentar uma nova proposta aos acionistas da Xstrata -o principal deles é a trading suíça Glencore. Se não apresentar nova oferta, fica sujeita a uma "quarentena" de seis meses. Só depois poderia dar um novo lance.
O concorrente brasileiro ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, "Tropa de Elite", de José Padilha, exibido anteontem, teve uma recepção da crítica dividida entre amores e ódios. Mais ódios do que amores.
A revista norte-americana "Variety", que recentemente incluiu Padilha numa restrita lista de dez diretores em quem se deve prestar atenção, foi especialmente dura com o filme.
Em resenha assinada por Jay Weissberg, a "Variety" atribui a "Tropa de Elite" um "estilo Rambo" e sustenta que ele faz "uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas".
Divulgação
Cena de "Tropa de Elite", com direção de José Padilha; filme recebeu críticas em Berlim
Weissberg afirma ainda que, segundo o filme, "só o Bope pode salvar a cidade [do Rio], mas isso requer, antes, a remoção cirúrgica de qualquer coisa que se pareça com um coração".
Leitores brasileiros da versão online da revista escreveram no site mensagens de protesto e atacaram o autor da crítica.
A "Hollywood Reporter" publicou entrevista e reportagem sobre o filme, com destaque em sua capa da edição de ontem, mas chamou-o de "um filme constrangedor sobre policiais assassinos".
A crítica afirma que "o pressuposto básico do roteiro escrito por Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani é que todo mundo no Rio é corrupto, especialmente as autoridades".
A revista inglesa "Screen", por sua vez, deu ao filme a nota máxima --quatro estrelas, correspondente a "excelente"--, numa crítica farta de elogios.
"A montagem corajosa, a incansável câmera na mão e essa espécie de tom quente e realista conhecido desde "Cidade de Deus" e "Amores Brutos" produzem uma mistura que é mais funcional do que inovadora, embora seja eficiente".
A crítica do jornal francês "Le Monde", publicada no blog de cinema do diário, acusa o filme de fazer apologia da tortura: ""Tropa de Elite" é feito segundo a receita do neoconservadorismo hollywoodiano --montagem frenética, câmera epiléptica, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia da tortura e das execuções extrajudiciais", afirma o crítico Thomas Sotinel.
A reação da imprensa alemã foi desigual. O jornal "Berliner Zeitung" avaliou o filme como "excitante e original", disse que ele apresenta "os diversos lados da questão" e o faz com bom "equilíbrio entre os aspectos ficcional e documental".]
Já o "Der Tagesspiegel" disse que, no retrato do "mundo pavoroso e sem lei" que o filme faz, "não há zonas brancas e negras; tudo é escuro". Os dois jornais, no entanto, ressaltaram que "Tropa de Elite" não é fascista. "E nisso [fascismo], como você sabe, somos especialistas", comentou o jornalista alemão.
Padilha acredita que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam "Tropa de Elite" desde a sua estréia no Brasil.
Sobre as resenhas publicadas ontem, o diretor afirmou: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso".
Poucas coisas podem ser mais deprimentes do que estar longe de casa e ficar doente. Imaginem isso acontecendo a 320 quilômetros acima da superfície da Terra, em pleno espaço sideral.
O astronauta alemão Hans Schlegel está nessa situação. Ele é um dos membros da tripulação do Atlantis, que se acoplou à Estação Espacial Internacional na semana passada. Hans deveria ter participado de uma caminhada espacial no domingo, auxiliando a instalação do módulo de laboratório levado pela equipe no “bagageiro” da nave.
Embora a Nasa não tenha informado o problema de saúde que a fez adiar a instalação por 24 horas, e a substituição de Hans por um outro colega, oficialmente o quadro não é grave.
O problema mais comum entre os astronautas é a Síndrome de Adaptação ao Espaço, o equivalente à doença do movimento na Terra. Esse problema surge pela dificuldade do labirinto, órgão que regula o equilíbrio, em se adaptar à sensação de falta de peso, causando náuseas, vertigens e fraqueza.
A síndrome é mais comum do que se imagina. A estimativa dos médicos é de que 60% dos astronautas passam por essa dificuldade no primeiro vôo.
O primeiro caso registrado foi do russo German Titov, a bordo da Vostok 2, em 1961. Os sintomas cessam em cerca de dois dias com a adaptação do corpo à nova realidade.
Os casos médicos vêm se tornando mais freqüentes, pois os astronautas de hoje estão mais para “trabalhadores do espaço” do que para super-homens dos anos 1960.
Para evitar problemas infecciosos no espaço, os astronautas escalados para uma missão ficam em quarentena, isolados, por pelo menos três semanas, permitindo assim a passagem do período de incubação das principais infecções.
A Nasa deixa bem claro que, em caso de um problema grave, que ameace a segurança da tripulação, a missão é cancelada e os astronautas resgatados.
Punição para as operadoras que cobrarem valores a mais dos usuários será maior.
Empresas terão 24 horas para cancelar o serviço após o pedido do usuário.
EDUARDO CUCOLODo G1, em São Paulo
A partir de amanhã (13), o uso da telefonia celular terá novas regras. O objetivo das mudanças é adequar o atendimento das operadoras de telefonia ao Código de Defesa do Consumidor e reduzir o número de reclamações do setor.
Com as mudanças fixadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os clientes terão mais facilidade para cancelar a linha do celular, maior proteção contra cobranças indevidas e mais prazo para usar créditos em aparelhos pré-pagos.
Apesar de as mudanças ampliarem os direitos dos consumidores, o Procon diz que o usuário deve prestar atenção ao serviço das operadoras - uma vez que a maioria das reclamações atualmente não são das regras em si, mas do fato de elas não serem cumpridas. “O novo regulamento corrige várias distorções. Resta saber se as empresas vão cumprir essas regras”, diz Selma do Amaral, do Procon-SP.
Cancelamento da linha
Hoje, uma das principais reclamações dos usuários de telefones celulares é a dificuldade em cancelar uma linha. Pelas novas regras, as empresas terão 24 horas para cancelar o serviço após o pedido do usuário, o que poderá ser feito em qualquer loja autorizada, e não apenas pelo atendimento telefônico.
Aumentou também a punição para as operadoras que cobrarem valores a mais dos usuários. Essa é a principal reclamação registrada em 2007 pelo Procon de São Paulo. Agora, o dinheiro terá de ser devolvido em dobro, com juros e correção monetária, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor.
Outras mudanças, no entanto, vão ficar para mais tarde. É o caso da portabilidade, que permite ao cliente trocar de plano e operadora sem perder o número do telefone. Nesse caso, o benefício só estará disponível para os consumidores a partir de agosto deste ano (nas maiores cidades, somente em março de 2009).
As empresas também terão um prazo mais longo para melhorar o atendimento pessoal ao usuário, o que só deve se tornar realidade a partir de 2010.
Pré-pago
Segundo dados da Anatel, o país tem hoje mais de 120 milhões de celulares, a maioria (81%) pré-pago. Por isso, haverá mudanças específicas para esses usuários.
As operadoras serão obrigadas a oferecer créditos pré-pagos com validade de até 180 dias. Hoje, elas oferecem no máximo 90 dias. Além disso, as empresas terão de revalidar os créditos antigos toda vez em que o celular for recarregado.
Quem ficar sem créditos, poderá continuar recebendo chamadas de outros telefones ou realizar ligações a cobrar por um prazo de 30 dias. Depois desse prazo, todos os serviços serão bloqueados, com exceção das ligações gratuitas de emergência (polícia e bombeiro, por exemplo).
Somente depois de mais 30 dias o cliente poderá perder o número do telefone, mas terá de ser comunicado com antecedência pela operadora.
Pagamento da conta
Para os clientes de telefones pós-pagos, haverá aumento nos prazos para contagem da inadimplência. O usuário ficará impedido de realizar chamadas 15 dias após o vencimento. Após 45 dias, também deixa de receber chamadas. Depois de 90 dias, a operadora poderá rescindir o contrato.
Depois disso, a empresa terá de notificar o consumidor e esperar mais 15 dias antes de encaminhar o nome do devedor ao serviço de proteção ao crédito.
A prestadora também só poderá cobrar chamadas realizadas há mais de 60 dias após negociação com o usuário. O prazo anterior era 90 dias.
O cliente do pós-pago também poderá solicitar, a cada seis meses, uma simulação para comparar o seu plano com os outros oferecidos pela operadora. A comparação será feita com base nas ligações feitas nos últimos três meses. Dessa forma, ele poderá saber se escolheu o melhor plano para suas necessidades.
Reclamações
Apesar das mudanças, o Procon de São Paulo diz que é preciso melhorar também a informação ao cliente, pois a maioria dos problemas começa na hora da venda do aparelho.
“Na loja, a venda é toda focada no aparelho, e não no plano de serviço. Às vezes, o consumidor é levado a adquirir um plano com benefícios que ele nem vai utilizar”, diz Selma do Amaral, do Procon-SP.
A Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel) informou que “as operadoras celulares vêm trabalhando incansavelmente, desde agosto passado, para concluir todas as alterações necessárias para o atendimento às novas regras”.
“Para que essas mudanças estejam plenamente implementadas têm sido necessárias complexas alterações em processos e sistemas de TI, automação e redes, aquisição e implantação de novos equipamentos e capacitação de pessoal para operá-los”, diz a Acel.
O senador por Illinois Barack Obama pretende estender a vitória sobre a senadora por Nova York Hillary Clinton nas primárias democratas desta terça-feira em Maryland, Virgínia e Washington DC. No último fim de semana, ele venceu em cinco Estados. Nesta terça-feira, 168 delegados democratas estão em jogo.
Após uma boa performance na Superterça (05), Hillary viu Obama levar a melhor nas prévias dos Estados de Nebraska, Louisiana, Washington, Maine, e no território das Ilhas Virgens.
Na última contagem de delegados da agência Associated Press, Hillary tinha 1.136 delegados e Obama, 1.108. Os totais incluem os chamados superdelegados, líderes do partido não eleitos nas prévias, que podem escolher quem quiserem na convenção nacional do partido. São necessário 2.025 delegados para vencer a nomeação.
Obama aparece à frente de Hillary nas pesquisas nos três Estados que votam nesta terça, que equivalem a 168 delegados para a convenção nacional.
Nas votações democratas de hoje, 83 delegados estão em jogo na Virgínia, 70 em Maryland e 15 no Distrito de Colúmbia. Os democratas não seguem a regra winner-take-all [WTA], que prevê que o candidato vencedor ganha todos os delegados e é seguida por republicanos.
Hillary já pensa no futuro de sua campanha, nas votações da próxima semana em Wisconsin e no Havaí -- onde Obama é favorito -- e principalmente na votações de 4 de março em Estados grandes como Texas e Ohio.
"Estou totalmente voltada para Ohio e o Texas porque nós sabemos que estes Estados representam o eleitorado do país", disse Hillary. "Eles representam os eleitores que ainda precisam ser convencidos para que se chegue à vitória nas eleições gerais".
As urnas fecham às 19h (22h de Brasília) na Virgínia e às 20h (23h de Brasília) em Maryland e em Washington DC, e os resultados são esperados em seguida.
Dificuldades financeiras
Obama arrecadou um total de US$ 32 milhões (cerca de R$56,5 milhões) em janeiro, frente aos US$ 13,5 milhões (cerca de R$ 23,8 milhões) de Hillary.
A ex-primeira-dama anunciou na semana passada que tinha colocado US$ 5 milhões (cerca de R$ 8,8 milhões) de seu próprio bolso na campanha em janeiro, e alguns de seus mais altos assessores dizem que, se a situação não melhorar, renunciarão a seus salários este mês.
Essas dificuldades levaram Hillary a fazer um apelo a seus doadores, aos quais pediu novas injeções de capital para lançar uma campanha midiática massiva em Estados como Ohio, Texas e Pensilvânia, nos quais espera desbancar seu rival.
A pré-candidata democrata arrecadou US$ 10 milhões (cerca de R$ 17,6 milhões) desde a Superterça (05).
Republicanos
Entre os republicanos, McCain tem ampla vantagem na contagem de delegados depois da saída de seu principal rival, o ex-governador por Massachusetts Mitt Romney.
Na votação desta terça, seu principal rival é o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee, mas que possui um número bem menor de delegados -- 234 contra 719 de McCain.
No entanto, Huckabee venceu duas das três votações republicanas realizadas no último sábado (9) -- no Kansas, em Washington e em Lousiana.
Na disputa republicana de hoje, 63 delegados estão em jogo na Virgínia, 37 em Maryland e 19 no Distrito de Colúmbia.
McCain, que é senador pelo Arizona, enfrenta oposição dos conservadores de seu partido, que o consideram liberal demais em assuntos como imigração ilegal, entre outras questões.