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14 de set. de 2007

GAZETA: Renan procura inimigos para reabrir diálogo

BRASÍLIA, 14 de setembro de 2007 - Um dia depois de ser absolvido pelos seus pares da acusação de ter a pensão alimentar concedida à filha que teve fora do casamento paga por um lobista da construtora Mendes Júnior, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) chegou ao plenário da Casa, ontem, demonstrando força. Começou por negar qualquer intenção de se licenciar do cargo, diante das pressões da oposição. Afirmou que se absteve de votar na sessão que definiu sua sobrevivência ao processo no Senado e minimizou o desgaste sofrido durante os mais de 100 dias de crise que atravessou por conta de quatro representações no Conselho de Ética da Casa.

O vigor renovado pela absolvição e o trânsito pelas bancadas tanto da oposição quanto do governo são os argumentos exibidos por Renan para convencer a parte insatisfeita do Senado de que, hoje, ele é o único com poder para voltar a unificar a Casa.

Para os adversários, a primeira demonstração de força aconteceu pouco depois da chegada de Renan ao Congresso, ainda no cafezinho do Senado. Lá, Renan afirmou ter sido um dos seis que se abstiveram de votar. Sinalizou, com isso, que tinha certeza da vitória, por ter votos entre os partidos de oposição. Perguntado se tiraria férias para descansar da crise, desdenhou. "Não estou cansado", desafiou.

A postura de firmeza no cargo é hoje a principal arma usada pelo presidente do Senado para reatar relações com seus pares. Tão logo o painel da Casa mostrou sua absolvição, na noite de quarta-feira, Renan começou a ligar para todos os parlamentares e presidentes de partidos representados na Casa. O primeiro foi o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), com quem Renan travou os mais duros embates em plenário desde que foi iniciado o primeiro processo no Conselho de Ética. A primeira ligação pegou Agripino durante entrevista para uma emissora de TV. O mesmo aconteceu com a segunda. Na terceira tentativa, o senador atendeu a ligação.

Com ele e com os demais senadores com quem conversou, Renan usou o mesmo discurso. Disse que sua prioridade zero é "distensionar o ambiente da Casa". Deu a entender que o placar de sua vitória em plenário é a prova de seu trânsito pelas bancadas do governo e da oposição. Falou em reerguer pontes. Assegurou não guardar mágoas de quem quer que seja. "Se eu não tiver condições de presidir o Senado, quem é que vai ter, num quadro de absoluta divisão", questionou ontem no cafezinho do Senado, mantendo o tom usado com os colegas. As ligações para senadores, aliados ou não, entraram pela madrugada. Na comemoração da vitória, na casa de seu advogado, ou mais tarde, na casa da líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), Renan não desgrudou do celular. Dormiu pouco, recebeu aliados na residência oficial.

Aconselhado por assessores, foi ao Senado à tarde, ocupar sua cadeira na Mesa Diretora da Casa. Voltou a abordar Agripino, para marcar uma conversa. Pouco reagiu, enquanto adversários defendiam seu licenciamento imediato do cargo. (Karla Correia - Gazeta Mercantil)

'Caso Renan': 2° processo pode ser arquivado sem depoimentos envie esta matéria por e-mail

Do Diário OnLine

O senador João Pedro (PT-AM), relator do segundo processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética da Casa, disse nesta sexta-feira que não vai ouvir ninguém antes de apresentar seu parecer sobre a denúncia, algo que deve acontecer na próxima semana.

Neste processo, o peemedebista é acusado de ter revertido uma dívida de R$ 100 milhões da Schincariol com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e à Receita Federal. Em troca, a cervejaria teria comprado uma fábrica do seu irmão, o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), acima do preço de mercado.

De acordo com João Pedro, o relatório será baseado apenas nas denúncias apresentadas pela revista ‘Veja’ contra Renan, na representação protocolada pelo PSOL e nos argumentos de defesa do parlamentar alagoano.

Para o senador amazonense, não é função dele, por exemplo, ouvir os diretores da Schincariol. “O Conselho de Ética não é uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), não tem autonomia, não tem competência para isso”, assinalou.

Segundo rumores que correm nos bastidores do Congresso Nacional, o relatório do petista deve sugerir o arquivamento das denúncias contra Renan por falta de provas. Além disso, de acordo com senadores da base aliada do governo federal e da própria oposição, a denúncia deveria estar mais concentrada na Câmara, já que o irmão de Renan é deputado.

Caso o relatório de João Pedro realmente sugira o arquivamento da acusação e seja aprovado pelos membros do Conselho de Ética, o colegiado voltará sua atenção para as outras duas denúncias contra Renan.

Em uma delas, o presidente do Senado é acusado de ter utilizado ‘laranjas’ para adquirir meios de comunicação no Estado de Alagoas. Na outra, ele é suspeito de ter participado de um esquema de arrecadação de propina em ministérios comandados pelo PMDB.

Na quarta-feira desta semana, Renan Calheiros foi absolvido pelo plenário do Senado da primeira acusação que enfrentou na Casa, quando era acusado de ter contas pessoais pagas pela Construtora Mendes Júnior – no caso a pensão de uma filha que teve em um relacionamento extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso.

Por essa mesma denúncia, o peemedebista havia sido considerado culpado pelo Conselho de Ética e pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Mas as medidas destes órgãos tornaram-se nulas com a decisão final do plenário pela absolvição.

Dignificar – João Pedro, que evitou vincular uma denúncia à outra, já que é obrigado a analisar apenas o “caráter técnico” da acusação, disse também nesta sexta que seu relatório vai dignificar o Senado. “Vou fazer meu parecer com a maior tranqüilidade, mergulhado nos dois pilares que envolvem esse debate: o técnico e o político, pois essa Casa é política”.

Segundo parecer contra Renan sai semana que vem

Agencia Estado

O senador João Pedro (PT-AM) afirmou hoje que apresentará no início da semana que vem ao Conselho de Ética do Senado o relatório do segundo processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre suposto favorecimento à cervejaria Schincariol. A primeira representação, rejeitada na quarta-feira pelo plenário da Casa, tratava da denúncia de que ele tinha contas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.

Desta vez, Calheiros é acusado de atuar politicamente em favor da Schincariol para reduzir multas impostas à cervejaria no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pela Receita Federal. Em troca, a empresa teria pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante pertencente ao irmão do parlamentar, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que estava deficitária. A denúncia foi feita pela revista Veja, da Editora Abril.

João Pedro disse não querer vincular seu relatório à primeira representação, apesar de saber que, politicamente, elas estão coladas. Ele afirmou que seu documento será apresentado "sem interferência de ninguém e com a maior tranqüilidade", segundo a Agência Senado, e disse que o relatório vai "dignificar o Senado".

Depois da representação sobre o caso Schincariol, o Conselho de Ética deve analisar a acusação de que Calheiros teria usado "laranjas" para comprar empresas de comunicação em Alagoas.

Moradores protestam após morte de enfermeira no Rio

Agencia Estado

Moradores de Del Castilho, na zona norte do Rio de Janeiro, colocaram panos e faixas negras nos portões de suas casas hoje em protesto contra a morte de Virgínia Santana de Almeida Silva. A enfermeira foi atropelada e arrastada ontem por um carro, ao longo de cerca de 150 metros, durante ação de criminosos. Segundo informações da Polícia Militar, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu hoje no Hospital Salgado Filho.

Moradores se dizem chocados com as marcas do acidente no local. O episódio remeteu ao assassinato do menino João Hélio, de sete anos, morto após ser arrastado por bandidos pendurado a um carro que roubaram.

A polícia investiga se o carro que atropelou Virgínia era dirigido por bandidos que davam cobertura a um roubo de carro ou por uma vítima apavorada, que tentava fugir de dois homens armados com pistolas. Segundo a polícia, os criminosos praticaram uma série de assaltos e roubos de carros, em seqüência, em quatro bairros da zona norte, antes do atropelamento da enfermeira.

13 de set. de 2007

Manchetes dos jornais de hoje

Congresso em Foco

Jornal do Brasil Crise sem data para acabar

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conquistou ontem a primeira vitória na tentativa de se livrar das acusações de corrupção e outras irregularidades que enfrenta. Em sessão fechada, o espírito de corpo e as articulações do Palácio do Planalto em defesa da coalizão governista, que tem o PMDB de Renan como um de seus principais expoentes, ecoaram mais alto do que as manifestações populares por justiça. Por 40 votos a 35 e seis abstenções, Renan foi absolvido pelo plenário da Casa da primeira representação por quebra de decoro apreciada pelo Conselho de Ética. Restam três.

Eram necessários 41 votos para que o peemedebista fosse cassado. Embora ainda esteja enfraquecido no comando do Senado, Renan só deve se licenciar do cargo se perceber que sua situação se tornou insustentável. A crise, no entanto, continuará a prejudicar os trabalhos do Congresso. Pior para o governo, que terá dificuldades em aprovar projetos importantes no Senado, entre eles a proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Renan intimidou colegas

Em seu discurso de defesa, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), apelou para o corporativismo, intimidou alguns colegas e chegou a discutir com a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A sessão foi fechada, mas, diferentemente de como o pretendido pelos aliados de Renan, não foi secreta. Declarações e diálogos foram relatados pelos participantes do julgamento do parlamentar, acusado de receber a ajuda de um lobista para pagar contas pessoais.

Renan acusou Heloísa Helena - presidente do PSOL e advogada de acusação na sessão - de ter sonegado mais de R$ 1 milhão do Fisco. A ex-senadora negou. Em uma ríspida discussão, Renan disse que ela teria de lavar a boca com água oxigenada antes de falar com ele. Helena rebateu. Respondeu que era o presidente do Senado quem deveria lavar a boca com água sanitária antes de falar com ela.

Senadores querem adiantar investigações

Com fôlego renovado pela absolvição, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda não está tranqüilo. Ele é alvo de mais dois processos no Conselho de Ética da Casa. E não só Renan está preocupado com as conseqüências. Parte dos senadores já se mobiliza para, de maneira que não se enfraqueçam as apurações, os casos sejam apensados - juntados em um só para não atrapalhar a rotina da Casa, liberar a pauta e evitar que outros dois pedidos de cassação cheguem a plenário e desgaste mais a instituição.

Uma confraria de velhos amigos

Por ser uma Casa menor, o Senado muitas vezes lembra um clube de amigos onde as rivalidades políticas não costumam chegar a extremismos. O longo processo contra Renan, segundo especialistas, provou isso: o constrangimento de grande parte dos 81 integrantes da Casa em investigar um colega era enorme. A tomada de posição das bancadas do PSDB e do DEM pela cassação, por exemplo, só ocorreu na véspera do julgamento.

O sentimento de cautela vem de longe. O Senado existe desde o Império e até um assassinato foi cometido no plenário. Em 5 de dezembro de 1963, o senador alagoano Arnon de Mello (UDN) matou, com um tiro no peito, o colega acreano José Kairala em plena tribuna. O pai do ex-presidente Fernando Collor tinha a intenção de disparar contra o inimigo político e errou os disparos.

Folha de S. Paulo

PT e voto secreto absolvem Renan Calheiros no Senado

Em votação secreta na qual o governo Lula e o PT tiveram ação decisiva, o plenário do Senado absolveu o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), do primeiro processo de cassação do mandato por quebra de decoro a que ele está sendo submetido. Optaram pela absolvição 40 senadores; 35 foram contra. Houve seis abstenções. Na prática, as abstenções selaram o desfecho do caso, já que eram necessários 41 dos 81 votos para aprovar a cassação.

Em discurso, Renan ameaça adversários

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) fez um discurso de 36 minutos em sua defesa, em que abusou da emoção e da condição de vítima, mas também encontrou tempo para ameaçar, mandar recados e ir para cima de adversários.

A Folha acompanhou parte da fala por meio do telefone celular de um dos presentes à sessão de ontem. A ex-senadora Heloisa Helena (AL), presidente do PSOL e alçada à condição de principal acusadora no processo, foi surpreendida ao final do discurso por um Renan alterado, que brandia uma folha de papel. "Vossa Excelência é sonegadora de R$ 1 milhão", disse Renan, em referência a processo que ela sofre por ter deixado de recolher imposto sobre verbas parlamentares quando era deputada estadual, nos anos 90.

Do fundo do plenário, Heloisa respondeu no mesmo tom. "Não é verdade! Não é verdade! Vossa Excelência passe água sanitária na boca antes de falar meu nome", disse. Renan arrematou: "E Vossa Excelência passe água oxigenada na boca para falar de mim".

Suplicy diz ter votado pela cassação do senador

Eduardo Suplicy (PT-SP), que não declarara sua posição antes, diz que avaliou que houve quebra de decoro. Para ele, um dos principais pontos contra Renan foi o fato dele ter apresentado emenda ao Orçamento para obra da Mendes Júnior no Porto de Maceió. O petista disse que considerou grave também ele não ter declarado empréstimo que tomou na locadora Costa Dourada.

Pressão do Planalto foi decisiva para impedir a cassação

A ação do Palácio do Planalto e do PT foram decisivas para evitar a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apurou a Folha.

Apesar do placar mais favorável a Renan do que o esperado, o governo e aliados do peemedebista vão insistir nos próximos dias na hipótese de licença da presidência do Senado. Desejam lhe propor saída de cena temporária, enquanto seriam reconstruídas relações com a oposição para o governo tentar aprovar a prorrogação da CPMF (imposto do cheque).

Na prática, o governo considera que Renan obteve 46 votos a seu favor -40 contrários à cassação e 6 abstenções. Os senadores que votaram pela cassação foram 35. Esse placar, relevante numa casa de 81 integrantes na qual o governo Lula sempre teve maioria estreita, pode levar Renan a resistir à hipótese de licença, algo que ele nega publicamente.

Na Dinamarca, Lula nada diz sobre resultado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado da absolvição de Renan Calheiros quando tomava café e conversava com a rainha Margrethe 2ª, da Dinamarca, junto com sua mulher, Marisa Letícia, e o príncipe consorte Hendrik. Não fez comentários.

Lula foi homenageado com um banquete de gala, na noite de ontem, no castelo de Fredensborg, residência de primavera e outono da família real. Foi ao terminar o banquete que chegou o telefonema anunciando a absolvição, logo transmitida ao presidente.

A avaliação ouvida pela Folha junto à comitiva presidencial é a de que o resultado deve ser recebido com a mesma normalidade com que se aceitou a abertura de processo contra os políticos envolvidos no caso do mensalão decidida pelo STF.

O Estado de S. Paulo

Governistas e abstenções definiram resultado

A abstenção de seis senadores, o trabalho explícito dos líderes governistas a seu favor - a começar pelos do PT - e as ameaças aos colegas levaram ontem o plenário a absolver o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo que pedia sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Quarenta senadores votaram pela absolvição, 35 pela cassação e 6 se abstiveram.

Na prática, 46 senadores salvaram Renan e passaram por cima do parecer de Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) aprovado no Conselho de Ética por 11 votos a 4. Em um dos primeiros telefonemas para um amigo, logo depois de encerrada a sessão, Renan disse apenas: "Sobrevivi.

"Puxado pela demanda interna, PIB cresce 5,4% no 2º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,4% no segundo trimestre do ano na comparação com o mesmo período de 2006 e acumulou alta de 4,9% no primeiro semestre. Foi o 22º crescimento trimestral, seqüência recorde na série histórica do PIB.

O principal destaque pela ótica da demanda no trimestre foi o desempenho dos investimentos (13,8%), maior taxa desde o mesmo período em 2004, junto com o consumo das famílias (5,7%) e indústria (6,8%). O resultado mostrou que a demanda interna se consolidou como o motor do crescimento.

Correio Braziliense

Voto secreto salva Renan da guilhotina

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu preservar seu mandato ontem, na votação secreta em plenário. Foram 40 votos pela absolvição, 35 pela cassação e seis abstenções. O resultado não encerrou a crise política na Casa. Renan ainda responde a outros processos por quebra de decoro no Conselho de Ética. Aliados políticos e o governo Lula querem que ele se afaste da Presidência até o julgamento de todas as representações. Ele resiste. Espera ser fortalecido pelo resultado de ontem e pretende retomar o diálogo com os partidos para manter o cargo. Vencida, a oposição aposta na pressão da opinião pública para continuar o cerco sobre ele.

O resultado de ontem criou um complicado equilíbrio dentro do Senado. A oposição ficou longe dos 41 votos necessários para a cassação. Mas Renan tampouco obteve a maioria absoluta. Menos da metade dos 81 senadores votou por sua absolvição. Tudo por conta das seis abstenções. Esses votos foram um recado político de aliados que não queriam cassá-lo, mas também não desejam sua permanência na Presidência da Casa.

Traições por todos os lados

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve principalmente aos senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e José Sarney (PMDB-AP) a sua absolvição em plenário. Mercadante teria conseguido segurar os votos dos senadores petistas que pretendiam votar a favor da cassação. Sarney manteve o firme apoio de seu grupo e mobilizou votos a favor de Renan não somente no PMDB, como no DEM, onde o senador Edison Lobão (DEM-MA) é apontado como a única defecção na bancada. Para a oposição, houve um acordo do PT com Renan, cujos termos ainda não foram revelados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria orientado a bancada a não votar pela cassação em nenhuma hipótese.

No Senado, socos, tapas e pontapés

O dia do julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou com cenas de pugilismo. Deputados trocaram socos e pontapés com seguranças da Polícia Legislativa antes da sessão que absolveu ontem o presidente do Senado. A confusão foi motivada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a entrada de deputados na sessão.

Acompanhados de outros colegas de Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) tentaram entrar no plenário pela porta principal. A ordem da Polícia Legislativa do Senado era liberar o acesso dos deputados apenas pela porta da tribuna, que fica ao lado. Os seguranças, então, barraram os deputados. Jungmann e Gabeira reagiram e tentaram entrar à força. Resultado: empurra-empurra e socos entre eles e os seguranças.

Sessão aberta vira debate no STF

Depois de duas horas de discussões, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram ontem manter a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, permitindo que 13 deputados assistissem à sessão de julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Por seis votos a quatro, os ministros entenderam que o fato de o senador peemedebista exercer simultaneamente a função de presidente do Congresso Nacional e do Senado o coloca como líder também dos deputados federais. Ao falar sobre sua decisão, Lewandowski afirmou entender que os deputados reivindicavam um direito constitucional. “Não abri a sessão a desconhecidos ou a qualquer pessoa. Abri a sessão a deputados, visto que eles também compõem o Poder Legislativo, cujo líder estava sendo julgado”, justificou.

Peemedebista prega reconciliação

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), optou por uma comemoração discreta pela absolvição em plenário. Nem festa nem orações na igreja, como chegou a cogitar. Depois de cumprimentar um a um os colegas no plenário, ele seguiu para casa e preferiu divulgar uma nota pública. Seis parágrafos curtos, porém, foram suficientes para ele dar um recado tanto aos aliados quanto aos adversários. Renan sugeriu que não pedirá licença da Presidência do Senado. Ao contrário. Pregou a conciliação. Avisou que não guarda mágoas e vai, na próxima semana, buscar reconstruir relações na Casa para retomar as votações.

Absolvição ajuda Lula e atordoa a oposição

Os aliados de Renan Calheiros terminaram o dia com uma sensação que tinha se tornado cada vez mais rara: a vitória. Depois de perder no Conselho de Ética, na Mesa Diretora e na Comissão de Constituição e Justiça, ganharam a batalha do plenário. Os integrantes da tropa de choque de Renan comemoraram ostensivamente. Primeiro, dentro do plenário. Depois, nas entrevistas. Os senadores Almeida Lima (PMDB-SE), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Gilvam Borges (PMDB-AP) são a face mais ruidosa do lado vencedor ontem. Mas estão longe de ser a única.

Outros personagens, bem mais discretos, foram decisivos. Um deles é o senador José Sarney (PMDB-AP). Mais uma vez, ele deu mostras de habilidade política. Nunca se pronunciou em público a favor de Renan. Não falou nem mesmo na sessão secreta de ontem. Mas foi seu principal conselheiro. Organizou encontros entre eles e outros senadores em sua casa. Fez a interlocução com o Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, deixava que seu nome fosse especulado como possível sucessor de Renan em caso de cassação.

Kate McCann se queixa de Madeleine em diário, diz jornal

Jornal português afirma que mãe teria deixado em branco página do dia em que a filha desapareceu em Portugal

Ansa

LONDRES - A imprensa britânica afirmou nesta quinta-feira, 13, que a mãe de Madeleine, Kate McCann, se queixava constantemente do comportamento dos três filhos, especialmente a menina mais velha, qualificada como uma criança "muito ativa" por ela. O jornal português Correio da Manhã diz ainda que no dia 3 de maio, quando a menina desapareceu, não há nenhuma anotação escrita.

AP O casal negou repetidas vezes qualquer envolvimento no desaparecimento de sua filha

Segundo informou em Londres a emissora Sky News, em seu diário pessoal, a médica inglesa Kate, de 39 anos, conta que perde todas as suas energias cuidando de seus três filhos e que Madeleine é a mais problemática.

Vários jornais portugueses afirmam que a polícia Judiciária viu o diário de Kate aberto no apartamento do complexo turístico de Ocean Club que a alugou em Praia da Luz. A Sky News duvidou da veracidade das informações da imprensa portuguesa, e considerou suspeito que não incluam fontes da polícia ou da investigação judicial.

Enquanto isso, o juiz de instrução criminal encarregado do caso autorizou a polícia britânica a apreender o diário pessoal de Kate e o laptop de seu marido, o cardiologista Gerry, além de papéis e documentos do casal. Com o material, os especialistas do caso buscarão ainda demonstrar "o estado mental" da mãe de Madeleine nos dias posteriores ao desaparecimento da garota.

Cuddle Cat

Os meios de comunicação de Portugal afirmaram também que os cães farejadores britânicos teriam detectado odor de cadáver decomposto no trajeto entre apartamento dos McCann e a igreja da cidade, onde o casal rezava durante a estada no país.

De acordo com o tablóide inglês The Sun, os detetives acreditam que o corpo da menor foi escondido fora da igreja de Praia da Luz, de onde pode ter sido levado posteriormente em um veículo que o casal McCann alugou três semanas após o desaparecimento da criança. A teoria está inclusa no dossiê que a polícia portuguesa entregou na última terça à Procuradoria Geral, que por sua vez delegou o caso a um juiz de instrução criminal.

Esse odor, segundo a imprensa portuguesa, também teria sido detectado em várias roupas de Kate, como também em um brinquedo de Madeleine que a médica leva consigo como um amuleto, o Cuddle Cat. A Sky informou que os detetives já estariam em posse destes objetos. A irmã de Kate, Philomena McCann, declarou que a possibilidade de a polícia britânica apreender o brinquedo de Maddie "é uma desgraça".

O porta-voz oficial dos McCann, David Hughes, negou-se a confirmar as notícias da imprensa britânica, mas disse que o Cuddle Cat foi submetido a análises forenses. Inquérito

Esta semana, os detetives entregaram um documento de 4 mil folhas com evidências ao fiscal geral da região de Algarve, José Cunha de Magalhães e Meneses, o qual por sua vez passou as primeiras 10 páginas ao juiz de instrução.

Enquanto isso, os McCann confirmaram que não utilizarão os fundos econômicos do grupo Find Madeleine para pagar por seus custos legais de defesa.

Gerry e Kate McCann arrecadaram um milhão de libras desde o lançamento do fundo, em maio, após o desaparecimento da filha de quatro anos do casal durante férias da família em Portugal.

O laptop que a polícia quer analisar havia sido utilizado por Gerry McCann para escrever seu blog diário no site http://www.findmadeleine.com/, como também para enviar e-mails.

O casal poderá ser acusado formalmente pelo desaparecimento de sua filha, após terem sido declarados na semana passada "suspeitos oficiais", do caso.