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8 de set. de 2007

PT tenta acordo para que votação de Renan seja em sessão aberta

FERNANDA KRAKOVICSda Folha de S. Paulo, em Brasília

Senadores tentam costurar um acordo para transformar em aberta a sessão que decidirá sobre o pedido de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros, na quarta-feira. Os petistas Eduardo Suplicy (SP) e Delcídio Amaral (MS) pretendem apresentar um projeto de resolução para modificar o regimento da Casa.

Como a proposta deve ser protocolada na segunda é preciso haver um consenso na Casa que permita a supressão dos prazos de tramitação exigidos. Mesmo que a iniciativa seja bem-sucedida, a votação continuará sendo secreta, já que essa norma está na Constituição.

O artigo 197 do regimento interno determina que a sessão seja "obrigatoriamente" secreta nos casos de perda de mandato. Já o artigo 55 da Constituição estabelece que a votação seja secreta nesses casos. Um projeto de resolução é aprovado por maioria simples, enquanto uma proposta de emenda constitucional necessita do apoio de 60% do Senado e votação em dois turnos.

"A possibilidade de o presidente Renan Calheiros modificar esse quadro e o clima na opinião pública depende das explicações que vier a dar. Assim é melhor para ele que a sessão seja aberta", disse Suplicy.

O líder do DEM, José Agripino (RN), se disse disposto a apoiar o projeto. "Eu apóia na hora", afirmou ele. A tropa de choque de Renan já reagiu. "Em uma sessão secreta a gente vai poder ter conversas e discursos que não teríamos se fosse aberta", disse Wellington Salgado (PMDB-MG).

Apenas os 81 senadores e a secretária-geral da Mesa Diretora, Cláudia Lyra, terão acesso ao plenário na sessão de quarta. O advogado de Renan, Eduardo Ferrão, poderá participar da primeira parte, quando vai expor a defesa do seu cliente.

A cassação de Renan foi aprovada no Conselho de Ética, por 11 a 4, em votação aberta. O clima no Senado é de incerteza quanto ao desfecho do caso, já que a votação em plenário é secreta. Contrariando interesse do Planalto, senadores do PT têm declarado voto pela cassação de Renan. O governo prefere não abrir uma disputa pela presidência do Senado porque não possui uma maioria confortável na Casa.

7 de set. de 2007

EUA analisam possível novo vídeo de Osama Bin Laden

Reuters A ser confirmada a sua autenticidade, este será o primeiro vídeo de Bin Laden em três anos

A Administração norte-americana obteve uma cópia de um alegado novo vídeo de Osama bin Laden, que organizações islamistas pretendem divulgar aquando do sexto aniversário dos atentados de 11 de Setembro.

"Podemos confirmar que a Administração obteve uma cópia do alegado novo vídeo e que este está a ser analisado", disse um responsável norte-americano em declarações à Reuters.

A informação de que a Al-Qaeda se preparava para divulgar novas imagens do seu líder foi anunciada ontem por dois centros norte-americanos especializados na vigilância de sites radicais islamistas.

"O SITE Intelligence Group soube que está iminente a publicação de um novo vídeo do líder da Al-Qaeda", revela um comunicado da organização, enquanto o IntelCenter avança que a rede terrorista "anunciou oficialmente que será difundida em breve uma nova declaração de Osama bin Laden ao povo americano por ocasião do sexto aniversário do 11 de Setembro".

Num fórum extremista terá mesmo sido utilizada a expressão "prenda de Bin Laden" para o aniversários dos atentados em Nova Iorque e Washington, mas o SITE minimiza os receios, sustentando que este é um termo habitualmente usado para acções de propaganda e não para anunciar novos atentados.

Segundo as agências internacionais, o alerta das duas organizações prende-se com uma mensagem colocada ontem em vários fóruns extremistas pela As-Sahab, a entidade responsável pelas mais mediáticas acções de propaganda da Al-Qaeda.

"Em breve, se Alá o permitir, será divulgado um novo vídeo de Osama bin Laden, Alá o preserve", lê-se na mensagem assinada pela As-Sahab. A acompanhar a mensagem surge uma fotografia do líder da Al-Qaeda, aparentemente mais velho do que nas fotografias até agora conhecidas.

Segundo a televisão árabe Al-Jazira, é provável que o vídeo seja divulgado nos próximos três dias, numa altura em que os norte-americanos se preparam para recordar as mais de três mil vítimas do ataque atribuído à Al-Qaeda.

Os serviços secretos norte-americanos ainda não comentaram as imagens, mas a cópia obtida será agora alvo de análise, com o objectivo de tentar datar o vídeo e conseguir obter informações adicionais sobre Bin Laden.

A confirmar-se a sua autenticidade, este será o primeiro vídeo do líder da Al-Qaeda em três anos. As últimas imagens datam de Novembro de 2004, dias antes das eleições presidenciais que permitiram a reeleição de George W. Bush — desde então foram conhecidas várias gravações áudio.

Alguns analistas admitem que a redução do número de mensagens visa aumentar o impacto das mesmas, reservadas para momentos-chave, mas outros sustentam que o saudita, de 50 anos, sofre de insuficiência renal, estando demasiadamente frágil para surgir em frente às câmaras mais frequentemente.

Malandros em apuros

Ângela CorrêaDo Diário do Grande ABC

Pode até soar ofensivo à causa gay dois homens fingirem ser um casal para fraudar o sistema previdenciário e isso ser base para uma comédia típica de Adam Sandler. Mas por mais sacana que seja o mote, Eu os Declaro Marido... e Larry! é diversão, sem sistema de cotas.

O “casal” em questão é Chuck Levine (Sandler) e Larry Valentine (Kevin James, da série The King of Queens), melhores amigos e bombeiros machões em Nova York.

Chuck é um grande mulherengo até que Larry, viúvo e pai de duas crianças, lhe cobra a dívida por ter salvo sua vida dias antes: ele tem de declarar à prefeitura que é parceiro doméstico do amigo.

A proposta de casamento não é uma súbita mudança de orientação sexual. Larry não consegue colocar seus filhos como novos beneficiários de seu seguro de vida e só confia em Chuck para cuidar deles caso algo lhe aconteça.

O problema é que, para o governo, não basta que os dois tenham o mesmo endereço de correspondência: eles têm de provar a paixão, ou irão para a cadeia. Um funcionário da previdência (Steve Buscemi) desconfia da história e resolve desmascará-los.

A advogada Alex McDonough (Jessica Biel), experiente na causa, os aconselha a tornar a história o mais pública possível e a oficializarem o casamento em uma cerimônia no Canadá.

A partir daí, os machões têm de ser verdadeiros bastiões da militância gay: vão a festas beneficentes e paradas e cobrem-se de ícones gays, como discos da Wham!, banda de George Michael antes de ele sair do armário, e lubrificantes. Mas a paixão de Chuck pela advogada deve azedar ainda mais o caso.

Mestres do escracho, o “par” central está ótimo. Sandler, que andou menos histriônico nos recentes Embriagado de Amor e Espanglês, volta à velha escola, mas sem afetações (aquela vozinha irritante parece ter sumido).

A dupla brinca bastante com os clichês, mas parece não ter ofendido a militância. Em tempo: o ator Richard Chamberlain e o cantor Lance Bass, homossexuais assumidos, fazem ponta.

Malandros em apuros

Lula se explica à classe média

KENNEDY ALENCAR

Colunista da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a data de 7 de Setembro para fazer propaganda política com dois objetos específicos: cortejar a classe média, faixa da população em que há maior insatisfação com seu governo, e colocar no noticiário uma "agenda positiva" em contraponto à "agenda negativa" das últimas semanas.

Ao longo de um pronunciamento em rádio e TV, Lula fez diversos acenos para a classe média. Não citou medidas específicas para favorecê-la, mas fez uma promessa algo vaga: "Nenhum país do mundo pode crescer sem estimular, fortemente, o espírito empreendedor da classe média." A construção do texto soou como uma justificativa das razões de ter priorizado políticas para os mais pobres em seus quase cinco anos de poder. "Devemos entender que quanto menor for o número de pobres e maior o mercado de massa, melhor será este país."

Sem modéstia, Lula falou que, na sua gestão, "está nascendo um novo Brasil". O mote "novo Brasil" guarda semelhança com o nome dado pelo então presidente Fernando Collor de Mello ao plano econômico que congelou preços e seqüestrou recursos da poupança em 1990. Naquele ano, o nome oficial do "Plano Collor 1" era "Plano Brasil Novo".

Ao dizer que o país vive "grande transformação", deu uma cutucada nos críticos. Afirmou que essa "transformação" é de uma "amplitude" nem sempre percebia por 'quem participa de um momento histórico'.

Sem mencionar a decisão do STF de tornar réus em ação criminal a antiga cúpula do PT, Lula admitiu que era preciso "avançar, ainda mais, no terreno da ética e do combate à unidade". Disse que seu governo tinha a "coragem" de realizar esse esforço. E afirmou que colhe "os frutos doces e amargos desta semeadura".

Lula bateu bumbo a respeito das realizações sociais. Segundo ele, o Brasil vive "amplo movimento de inclusão social, de uma intensidade nunca vista". Apesar de ter reconhecido que ainda "há forte dívida social a resgatar com os mais pobres", Lula exagerou quando falou que, "ao contrário de outras épocas, agora não há arrocho salarial e exclusão social". A exclusão social, como ele mesmo assinalou, ainda é enorme.

Resumindo: foi um discurso para Lula vende o seu peixe para população, sobretudo para a fatia mais resistente a ele, e também para responder de certa forma à decisão do STF sobre o mensalão.

Negociação casada

Lula ouviu dos líderes partidários na Câmara que a negociação para aprovar a CPMF tem de ser feita já levando em conta a votação do imposto do cheque no Senado. Disseram que aprovam matérias de acordo com os interesses do Palácio do Planalto, sofrendo desgaste político, mas o governo não sustenta essas negociações quando os projetos chegam ao Senado. Afirmaram que não desejam votar um projeto que será "amaciado" no Senado. Lula deu ordem aos articuladores políticos para tentar fazer uma difícil operação casada.

Trem excedeu velocidade para atingir meta, diz maquinista

LUISA BELCHIOR

Colaboração para a Folha de S.Paulo, no Rio

O trem com 800 passageiros que colidiu com outro vazio no dia 31 de agosto em Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio, estava em velocidade acima da permitida para poder cumprir metas de horários estabelecidas pela SuperVia aos maquinistas, segundo depoimento à polícia do condutor da composição. O choque entre os trens deixou oito pessoas mortas e outras 101 feridas.

Norival Ribeiro Nascimento era o maquinista do trem que transportava passageiros no momento da colisão e prestou depoimento na noite de anteontem ao delegado titular da 58ª DP (Posse), Fábio Pacífico.

Segundo o delegado, o maquinista confirmou que trafegava a 85 quilômetros por hora, acima do limite de velocidade do trecho, de 60 quilômetros por hora. Mesmo com o alarme de velocidade máxima disparando, Norival contou, conforme o policial, que seguiu no mesmo ritmo porque "tinha que cumprir horário". "A empresa exige isso", afirmou o titular da 58ª DP.

O maquinista só começou a acionar o freio ao ver o sinal vermelho antes do cruzamento em que colidiu com o trem sem passageiros e não conseguiu parar a tempo. Segundo o delegado, Norival não estava acelerando, mas tinha acabado de passar por um declive na pista, o que ajudou aumentar a velocidade da composição.

Sinal verde

O maquinista disse ao titular da delegacia da Posse que também não reduziu a velocidade antes porque passara por dois sinais que estavam verdes, o que indica que o maquinista pode seguir em frente. Para que começasse a desacelerar, um deles deveria estar amarelo, afirmou o maquinista.

Este, para a polícia, é um outro fator que pode ter contribuído para a colisão. Pacífico disse que os peritos agora vão investigar por que o penúltimo sinal pelo qual o trem passou antes da colisão não ficou amarelo, como, segundo o delegado, é normal naquele sistema.

O delegado explicou que, pelo sistema do Centro de Controle de Operações da SuperVia, esta sinalização é acionada automaticamente quando há mudanças de linha como a feita pela composição em teste.

"Quando ele [o controlador] autoriza a manobra, automaticamente o sinal da estação de Austin fica vermelho, e o anterior [que estava verde] fica amarelo."

Segundo o depoimento do controlador Edson Assunção, que estava em operação no momento do choque, o acionamento desse sistema foi feito.

Segunda-feira

Procurada pela Folha para explicar sobre a política de cumprimento de metas de horário mencionada pelo maquinista Norival Nascimento Ribeiro, a SuperVia disse que só se pronunciará na segunda-feira. Na data, a concessionária vai divulgar o laudo com as causas do acidente que vem sendo realizado pelos seus próprios técnicos.

Para o professor de engenharia do transporte da COPPE/ UFRJ Amaranto Pereira, a provável causa da colisão foi a combinação de fatores como o excesso de velocidade, a falha da sinalização e o estado de conservação da via. "Nunca em um acidente dessa natureza dá para determinar qual foi a causa principal. Normalmente, são muitas causas, e a principal delas é o estado da via."

Hoje, parentes das vítimas, ferroviários e moradores de Austin vão participar de uma passeata no local onde aconteceu a colisão.