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23 de julho de 2008

Petrobras e juros fazem Bovespa fechar em baixa

YGOR SALLES da Folha Online

Depois de passar quase todo o dia em alta, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) inverteu o sinal na última hora de negociação e fechou em baixa. Embora o desempenho das Bolsas americanas tenha sido positivo, o mercado local acabou atingida pela forte baixa da cotação da Petrobras e da tensão antes da divulgação da nova taxa básica de juros.

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, recuou 0,38%, para 59.420 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,16 bilhões, com cerca de 232 mil negócios realizados. Já o dólar comercial avançou 0,31%, vendido a R$ 1,584.

O petróleo é responsável direto tanto pelas altas em Wall Street como pela baixa na Bovespa. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI para entrega em setembro fechou em baixa de 2,74%, para US$ 124,44.

Um preço menor do petróleo faz com que os investidores deixem de alocar recursos na commodity e voltem a aplicar em ações, o que faz as Bolsas subirem. Além disso, a queda alivia pressões sobre a inflação, garantindo que os juros locais não subam.

Em Nova York, o índice Dow Jones sobe 0,27% e o Nasdaq Composite ganha 0,95%.

Porém, o efeito é inverso no Brasil devido à Petrobras. As ações da estatal respondem por mais de 20% do movimento total da Bovespa, então uma forte queda delas é decisiva para a definição do sinal do Ibovespa. As ações preferenciais da petrolífera recuaram 3,55%, e as ordinárias perderam 3,31%.

"Aqui estaria mais alinhado com Nova York se não fosse a Petrobras. Foi assim também em outros dias", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Ágora.

Como outras commodities também recuaram, o desempenho da Vale e das siderúrgicas também operaram de forma instável hoje --destaque para a queda de 2,78% das ações preferenciais da Gerdau.

Na outra ponta, as companhias aéreas tiveram fortes altas, uma vez que o petróleo é um importante item de despesa delas. As ações preferenciais de Gol e TAM avançaram, respectivamente, 9,32% e 4,51%.

Outro setor que se destacou positivamente hoje foi o de papel e celulose. A Suzano Papel e Celulose anunciou que obteve lucro de R$ 185,6 milhões no segundo trimestre de 2008, com alta de 7,8% sobre o mesmo período do ano anterior, e um plano de investimentos da ordem de US$ 6,6 bilhões. O resultado aqueceu os papéis da empresa e das concorrentes: Suzano PNA subiu 5,64%, VCP PN ganhou 5,05% e Aracruz PNB teve alta de 2,23%.

Copom

O mercado financeiro também está em clima de expectativa com a taxa de juros --o que, inclusive, ajudou a recuar o mercado porque alguns investidores preferiram ficar na defensiva, à espera da definição.

Os analistas apostam que o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC deverá manter o ritmo da correção dos juros e elevará a taxa Selic em 0,5 ponto percentual hoje. Com isso, a Selic passaria de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano.

Porém, a previsão cada vez maior para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice que baliza a meta de inflação do governo federal, faz com que o mercado não descarte a possibilidade da Selic subir em um ritmo ainda maior, a 0,75 ponto percentual. A última pesquisa semanal Focus, realizada pelo próprio BC junto às 100 principais instituições financeiras do país, apontou que o mercado já espera um IPCA de 6,53% ao final do ano --acima do teto da meta definida pelo governo.

www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u425469.shtml

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