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24 de janeiro de 2009

Antes do Oriente Médio, Obama vai se preocupar com a crise

Osmar Freitas Jr, JB Online

NOVA YORK - Em diplomacia, o simbolismo de um gesto é ferramenta fundamental de trabalho. Expressões singulares aproximam ou afastam interlocutores. Assim, ao optar pela imobilidade e poucas palavras durante a invasão de Gaza por tropas israelenses, Barack Obama deu impressão de omissão.

Justificou-se, na época, afirmando que os EUA têm um único presidente a cada momento. Ele era presidente eleito, e o cargo estava ocupado por George Bush. Mas nas duas primeiras horas de trabalho no Salão Oval, o empossado 44º líder americano mudou de atitude. Suas primeiras chamadas pelo telefone foram para mandatários do Oriente Médio envolvidos na questão palestina.

Em seguida, anunciou a escolha de um nome para ocupar a pasta de enviado especial para a região. Trata-se do ex-senador democrata George Mitchell, em cujo currículo está o sucesso de um acordo de paz entre rivais na Irlanda do Norte. Manifestava, assim, a volta do engajamento ativo de seu governo na arena judaico-palestina.

Entre gesto e ação, sabe-se, pode estar fincada grande distância. Analistas políticos americanos arriscam dizer que o foco do presidente não está no Oriente Médio. A questão palestina estaria sendo vista de binóculos, e a aproximação física do governo será lenta e gradual.

– A questão mais importante diante de Obama é a crise econômica da nação. A disputa entre Israel e os palestinos não é tópico que um presidente americano intervenha sem experimentar dores – diz George Friedman, do Stratfor, instituto não partidário de inteligência geopolítica. – Certamente, Obama vai lutar para não ser forçado a mediar o conflito israelense-palestino nos 100 primeiros dias. Ele vai remeter o obrigatório enviado especial ao Oriente Médio, que vai dedicar tempo com os protagonistas, fazer os discursos de praxe, e extrair concessões inócuas dos envolvidos. Este enviado estabelecerá um tipo de cometimento cínico, que não levará a lugar nenhum a princípio.

O pessimismo do analista se baseia nas ocorrências do passado e nas possibilidades futuras. Em 10 de fevereiro, Israel elegerá um novo premier. As pesquisas dão vantagem para o candidato conservador do Likud, Benjamin Netanyahu. Caso isso se confirme, espera-se linha mais dura do governo israelense, com o prosseguimento do assentamento de colonos em território ocupado, e total recusa de negociações com o movimento Hamas.

– Não adianta agora tentar estabelecer compromissos entre palestinos e judeus. Qualquer negociação de acordos mais duradouros, vai depender da política a ser estabelecida pelo novo governo de Israel – diz Amr El Ebrashi, professor da Universidade do Cairo.

Apesar disso, as mediações multinacionais continuam. O presidente francês Nicolas Sarkozy ofereceu-se como interlocutor com a liderança do Hamas. A idéia é trazer o grupo que governa Gaza para a mesa de negociações, sem obrigar contatos diretos entre eles, Israel ou EUA. Ao mesmo tempo, o ditador do Egito, Hosni Mubarak, trabalha pela colaboração entre o Fatah, facção do presidente Mahmoud Abbas, e seus rivais do Hamas. Do sucesso da empreitada depende o frágil cessar-fogo estabelecido depois da invasão em Gaza. Obama torce por isso para, pelo menos, ganhar tempo.

http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/24/e240124423.asp

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