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12 de janeiro de 2007

Doze mil desabrigados depois de acidente em MG

12/01/2007 | 08h07 | Barragem Doze mil pessoas foram desalojadas, na Zona da Mata de Minas Gerais, em conseqüência da cheia do rio Muriaé e do rompimento da barragem da mineradora Rio Pomba, que inundou de lama e bauxita as cidades de Miraí e Muriaé. Nas duas cidades mais próximas à barragem foi decretada situação de emergência. Além de enfrentar o lamaçal, a cidade de Muriaé sofre com as inundações provocadas pela chuva. No rio que corta a cidade, peixes apareceram mortos. Resíduos de vazamento de mineradora já atingem estado do Rioe o presidente da Cedae, Wagner Victer, disse que a situação é mais grave do que inicialmente avaliado. Nesta quinta-feira foram distribuídos mil cestas básicas, 500 colchões, 500 cobertores, material de limpeza e kits de primeiros-socorros. Roupas, calçados e móveis serão enviados ao município pelo governo estadual. O Corpo de Bombeiros de Minas já iniciou uma avaliação das casas atingidas. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, será instalado em Miraí um posto da Secretaria de Desenvolvimento Social para capacitar profissionais e identificar oportunidades de empregos para os ex-trabalhadores da mineradora. O posto também vai oferecer serviço de emissão de documentos às pessoas que perderam carteira de identidade e de trabalho e certidões de nascimento. Nesta quinta-feira, foram liberadas duas rodovias que haviam sido fechadas por causa dos temporais: a BR-116, perto de Além Paraíba, na Zona da Mata, e a BR-267, também na Zona da Mata, que estava interditada em dois pontos, devido a uma erosão e a uma queda de barreira. Já a BR-356 está parcialmente fechada no km 270, próximo a Muriaé, na mesma região, por causa das chuvas. Uma ponte no local está comprometida. O vice-presidente José Alencar pediu, nesta quinta-feira, empenho a ministros para uma ação rápida e imediata no atendimento às vítimas do rompimento da barragem. Natural da região, Alencar conversou com Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Paulo Sérgio (Transportes) e Pedro Brito (Integração). A multa aplicada a Mineradora Rio Pomba Cataguases, responsável pelo rompimento da barreira em Mirai, será de R$75 milhões. O valor da multa foi fixado na tarde desta quinta-feira, e é R$25 milhões maior que o divulgado ontem pelo governo de Minas Gerais. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas, José Carlos Carvalho, o valor da multa cresceu porque a empresa é reincidente, e porque existem possíveis danos causados a saúde da população e ao meio ambiente. "Foi um transtorno ver tudo o que aconteceu, ver sua casa, seus amigos, seus vizinhos, indo embora. Você não tem noção do que é isso", afirma, chorando, uma moradora. Em Miraí, o rio de lama cobriu as ruas do centro e invadiu o comércio. "É uma situação muito triste. A gente trabalha, tem uma fonte de renda e agora está nessa situação", lamenta o comerciante Sebastião Ferreira Filho. Em Muriaé, sete bairros foram alagados. Moradores de bóia, a nado e a pé se arriscavam salvar o pouco que restou dentro de casa. "Foi muito rápido. Tiramos de casa o que foi possível. Salvamos as pessoas", conta o pintor Wellington Crispin. "Salvamos o que deu. O resto ficou preso dentro das casas. Só Deus sabe o que vai acontecer daqui para frente", diz o vendedor Eduardo Ferreira Berto. A inundação atingiu toda a parte baixa da cidade. Mais de 16 horas depois do rompimento das barragens, muitas famílias ainda estavam presas dentro de casa. Da Agência O Globo

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