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10 de janeiro de 2008

Entenda a negociação para libertar os reféns das Farc

Clara Rojas e Consuelo Gonzáles de Perdomo foram libertadas nesta quinta-feira (10).
Veja a cronologia do processo de negociação com as Farc.
Do G1, com agências
Foto: Daniel Munoz/Reuters
Três soldados colombianos fazem guarda em ponte em San Jose Del Guaviare. Exército do país teve que ficar longe do local do resgate (Foto: Daniel Munoz/Reuters)

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram nesta quinta-feira (10) a ex-candidata a vice-presidente da Colômbia Clara Rojas e a ex-deputada Consuelo Gonzáles de Perdomo. Elas foram as duas primeiras reféns de um grupo de mais de 40 seqüestrados pela guerrilha a terem o resgate negociado pelas Farc em troca da libertação de 500 guerrilheiros presos.

Leia aqui: Chávez e Cruz Vermelha dizem que Farc libertaram reféns

O processo de libertação foi longo e envolveu sete países, além do Brasil, e da Cruz Vermelha. No dia 31 de dezembro de 2007, primeira data prevista para a entrega de Rojas, Perdomo e de Emmanuel - filho de Rojas com um guerrilheiro -, as Farc anunciaram o cancelamento da entrega por considerarem que a zona estava com "excesso de operações militares".

A negociação foi adiada para esta semana e foi anunciada nesta quinta pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pela chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Barbara Hintermann.

No dia 4 de janeiro, um exame de DNA feito em uma criança que está sob proteção do governo colombiano, revelou que havia grande chance do menino ser Emmanuel. Nesta quinta (10), exames efetuados na Espanha também apontaram para a possibilidade.

As Farc reconheceram em comunicado que o Emmanuel está em Bogotá, "seqüestrado" pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.

O processo de libertação das duas reféns e do prometido garoto que agora está em mãos do governo colombiano teve início em agosto. Acompanhe os principais acontecimentos:

4 de junho de 2007 - Álvaro Uribe aceita libertar o guerrilheiro Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" das Farc, a pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para trabalhar sobre o acordo humanitário. Dias depois, libertou mais de 100 guerrilheiros num gesto "unilateral", pedindo que as Farc correspondam.

18 de junho - Granda vai a Havana, com autorização do governo de Uribe.

28 de junho - As Farc informam a morte de 11 dos 12 deputados do departamento de Valle del Cauca, que estavam seqüestrados desde 2002. Segundo um comunicado da guerrilha, os políticos morreram no dia 18 de junho, "no meio do fogo cruzado quando um grupo militar não identificado até o momento atacou o acampamento onde eles se encontravam".

15 de agosto - Uribe pede que a senadora de oposição Piedad Córdoba inicie "trabalhos de facilitação" na busca do acordo humanitário com as Farc.

20 de agosto - Chávez, numa reunião em seu escritório com parentes dos reféns, e por iniciativa de Piedad Córdoba, anuncia a sua disposição de mediar com as Farc.

26 de agosto - As Farc anunciam que aceitam Chávez como mediador.

31 de agosto - Chávez e Uribe "oficializam" a mediação.

3 de outubro - A senadora Córdoba anuncia o adiamento de uma reunião prevista para o 8 de outubro em Caracas entre Chávez e um delegado das Farc "por falta de garantias".

5 de outubro - Córdoba vai a uma prisão do Texas (Estados Unidos) para se reunir com Anayibe Rojas, a "Sonia" das Farc, para discutir o acordo humanitário.

31 de outubro - A parlamentar colombiana vai a uma prisão de Washington para conversar com Ricardo Ovidio Palmeira, o "Simón Trinidad", guerrilheiro das Farc.

31 de outubro - Vagem do "chanceler" das Farc, Rodrigo Granda, de Havana a Caracas.

2 de novembro - O jornal "El Nacional" de Caracas anuncia a reunião do presidente Chávez com Granda no dia seguinte.

3 de novembro - Paris e Caracas anunciam o encontro dos presidentes Sarkozy e Chávez para falar do acordo humanitário.

4 de novembro - Chávez revela que delegados das Farc estão na Venezuela para se reunir com ele.

7 de novembro - Chávez fala da sua primeira reunião com um representante das Farc. Mais tarde, aparece ao lado de "Ivan Marquez", da cúpula das Farc, e Rodrigo Granda.

9 de novembro - Uribe e Chávez se reúnem em Santiago do Chile durante a Cúpula Ibero-americana.

20 de novembro - Chávez se reúne em Paris com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e revela que Uribe estaria disposto a se encontrar com chefes das Farc. O governo colombiano responde, contrariado, que a informação era secreta e que a condição seria a libertação de um grupo de reféns. Horas depois, o alto comissário para a Paz da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, marca a data de 31 de dezembro para que a gestão de Chávez mostre "avanços significativos".

21 de novembro - Uribe avisa que as Farc podem aproveitar as gestões para dilatar o processo.

31 de dezembro - Farc dizem a Chávez que entrega de reféns 'é impossível agora' devido à quantidade de operações militares na zona em que ocorreria a libertação.

02 de janeiro - O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, pediu que as Farc cumpram sua promessa de libertar os reféns.

03 de janeiro - O chefe da guerrilha das Farc, Manuel Marulanda, conclamou uma "ofensiva geral" em 2008, segundo a Agencia Boliviariana de Prensa (ABP), entidade ligada ao grupo.

04 de janeiro - Um teste de DNA revelou com um alto grau de probabilidade que uma criança que está sob proteção do governo colombiano é Emmanuel, o filho da política Clara Rojas que as Farc prometeram entregar à Venezuela junto com Rojas e com uma ex-congressista.Os guerrilheiros reconheceram em comunicado que o menino Emmanuel — filho da refém Clara Rojas, com um guerrilheiro — está em Bogotá, "seqüestrado" pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.

07 de janeiro - As Farc voltaram a dizer que soltariam Clara Rojas e a ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo, como havia sido prometido ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

do site:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL254596-5602,00-ENTENDA

+A+NEGOCIACAO+PARA+LIBERTAR+OS+REFENS+DAS+FARC.html

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