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20 de abril de 2007

PF apreende documentos no TRF de SP

Dois malotes e um embrulho foram apreendidos em gabinete de desembargadora.
PF cumpriu três mandados de busca e apreensão, mas ninguém foi preso.
Fausto Carneiro e Luciana Bonadio
A Polícia Federal apreendeu documentos e discos rígidos de computador na manhã desta sexta-feira (20) na sede do Tribunal Regional Federal de São Paulo, como parte da “Operação Têmis” - Têmis é a deusa grega da Justiça. A operação, que teve início nesta sexta, visa combater suposta venda de sentenças e lavagem de dinheiro. Funcionários do edifício onde funciona a Procuradoria da Fazenda Nacional em São Paulo, no Centro da capital paulista, também confirmaram que agentes da PF estiveram no local na manhã desta sexta.
Policiais Federais em frente à entrada do TRF
Segundo a PF, as investigações estão sob segredo de Justiça. O alvo da operação seriam cerca de 20 advogados, três desembargadores, dois juízes federais, policiais civis e militares e um procurador da Fazenda Nacional.
Cerca de 300 agentes federais cumprem 100 mandados de busca e apreensão de documentos em todo o estado.
A PF informou que não há mandados de prisão a cumprir porque os cinco pedidos feitos foram negados pela Justiça. A ação segue a linha da Operação Furacão, que prendeu, na semana passada, 25 pessoas, entre desembargadores, policiais civis, empresários e advogados por ligação de um esquema de jogo ilegal.
Na ação conduzida no Tribunal Regional Federal, a PF tinha três mandados de busca e apreensão, mas, segundo o delegado que comandou a operação, José Pinto de Luna, foram recolhidos documentos apenas do gabinete da desembargadora Alda Basto, no 19º andar do edifício do TRF. Ninguém foi preso.
Os policiais chegaram ao tribunal às 9h30 e deixaram o prédio três horas depois com dois malotes com documentos e um pequeno embrulho. Os malotes e o embrulho seriam levados para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo e de lá transferidos para Brasília, onde já estão documentos apreendidos desde o início da operação, na semana passada.
O delegado da Polícia Federal José Pinto de Luna
O delegado Luna não confirmou os nomes dos demais juízes ou desembargadores que foram alvos dos mandados de busca e apreensão.
O G1 tentou entrar em contato com a desembargadora Alda Basto e a presidente do TRF, Diva Malerbi, mas elas não atenderam à reportagem.
No gabinete de Alda Basto, o funcionário que atendeu a ligação disse que estava sozinho na sala e não poderia dar informações. No da presidência, a informação era de que Diva Malerbi estava em reunião e não poderia atender.
A assessoria de imprensa do Tribunal também disse que não sabia em quais gabinetes foram feitas as buscas. A PF disse que daria informações sobre o caso no final da tarde.
Policiais levaram à sede da Polícia Federal, na Lapa, Zona Oeste, no início da tarde dois carros e uma moto Harley-Davidson apreendidos na casa de um advogado no bairro do Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. Também foi apreendida uma moto modelo Falcon, com dois adesivos do helicóptero pelicano da Polícia Civil.
Na Vila Mariana, na Zona Sul, policiais apreenderam um automóvel Audi A3, que pertenceria a um advogado. No mesmo bairro, a PF fez apreensão de documentos e computadores em uma empresa de plástico.
Por volta das 16h, chegou à sede da PF um buggy amarelo, apreendido em um apartamento de um advogado na praia da Enseada, no Guarujá, a 87 km de São Paulo.
Ofensiva contra bingos
A presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região (SP), Diva Malerbi, suspendeu na quinta-feira (19) duas liminares concedidas pela Justiça Federal a associações esportivas que permitiam o funcionamento de bingos no estado de São Paulo. De acordo com o Ministério Público Federal, a liminar garantia a operação de 58 instituições.
Para que ocorra o fechamento das casas, de acordo com a Advocacia Geral da União (AGU), o TRF-SP precisa enviar uma solicitação à Polícia Federal. Cabe aos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização dos bingos cumprir a decisão judicial, mas não há data para que isso ocorra.
Na terça-feira (17), foi divulgado no Diário da Justiça, da União, a suspensão de segurança relacionada à Liga Esportiva Jaboticabalense de Futebol Amador. Na quinta-feira, o tribunal informou a mesma decisão relacionada à "Joli Esporte Clube e Outros". De acordo com o TRF, os “outros” do nome oficial da Joli Esporte Clube incluiriam as Federação Paulista de Hipismo, Nacional Futebol Clube e Associação Colossos de Judô.
Em 2000, com a publicação da lei federal 9981/00, que revogou a partir de dezembro de 2001 a Lei 9615/98 (conhecida como Lei Pelé), o jogo passou a ser proibido no Brasil. A Justiça concedeu ainda um ano a partir desse prazo para que as casas do ramo saíssem do mercado. Com isso, desde janeiro de 2003 não poderiam mais existir casas de bingo no país, segundo a AGU.
Várias casas do ramo entraram com recurso na Justiça para continuar funcionando. Em São Paulo, a Liga Esportiva Jaboticabalense e a Joli Esporte Clube entraram com um pedido cada. A AGU, junto com o Ministério Público Federal, entrou então com pedido de suspensão das duas liminares pedidas pelas associações. A suspensão foi divulgada nesta semana. Cabe recurso da decisão.
Na decisão, o TRF-3 informou que o Supremo Tribunal Federal considera ilícitos o jogo de bingo, os vídeo bingos, os caça-níqueis, as máquinas de bingos eletrônicos e similares.
O TRF citou decisão na qual a presidente do Supremo, Ellen Gracie, diz que “para ser legítima a exploração de loterias e outros jogos de azar deverá realizar-se com a permissão e participação do Estado, seja pela exploração direta levada a efeito pelos órgãos ou entidades públicas, seja pela delegação a particulares”.
Procurada pelo G1, a Associação Brasileira dos Bingos (Abrabin) informou que os proprietários dos bingos atingidos pela decisão se reuniriam para decidir quais medidas vão tomar.
Na quinta, a Subprefeitura de Pinheiros interditou dois bingos que não teriam liminares judiciais para garantir o funcionamento. O Bingo Pamplona teve as entradas lacradas com quatro malotões – blocos de concreto com cerca de 300 quilos cada. Além disso, o estabelecimento recebeu multa de R$ 2.180.
Mais quatro blocos foram colocados na entrada do Vídeo Bingo 24 Horas, na Rua Teodoro Sampaio. O bingo foi multado em R$ 4 mil. A subprefeitura já fechou sete bingos na região.
{Costa}

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